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Estudante sorridente

Manejo pré-operatório em pacientes com indicação cirúrgica por amigdalite de repetição

34 minutos

Introdução

As faringotonsilites, especialmente por estreptococo do grupo A, são infecções muito comuns, especialmente em crianças e adultos jovens.¹ ² O tratamento recomendado é com o uso de antimicrobianos, para prevenir febre reumática e complicações supurativas.¹ ² Alguns pacientes desenvolvem episódios de infecções de repetição, que comprometem muito sua qualidade de vida² bem como seu desempenho escolar e laboral.³ Esses episódios recorrentes podem ser explicados pela ocorrência de nova infecção, falha no tratamento ou permanência da bactéria na orofaringe após a infecção, sem causar sintomas.⁴
 
Tradicionalmente, o tratamento das faringotonsilites estreptocócicas recorrentes é realizado por meio de remoção cirúrgica das tonsilas palatinas.⁴ Porém, existem evidências de que o efeito da cirurgia na redução dosepisódios de faringite é modesto.⁵ Além disso, a cirurgia apresenta riscos (mesmo que baixos) de complicações pós-operatórias, notadamente hemorragia.⁵ Importante ressaltar que a recuperação pós-operatória é demorada: os pacientes apresentam, em média, 13 dias de dor (mais intensa em adultos) e necessitam do afastamen-to das atividades habituais.⁴ ⁵ A seguir apresentaremos o caso de um paciente com faringotonsilites recorrentes no qual, por meio do tratamento clínico, evitou-se a necessidade de cirurgia.

Conheça mais sobre o médico:

Dr. Fabrizio Ricci Romano

Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Pós-doutor em Otorrinolaringologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (FMRP-USP)

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Caso Clínico

Paciente do sexo masculino, 15 anos de idade, natural eprocedente de São Paulo (SP).
 
QD – amigdalites de repetição há 2 anos.
 
O paciente refere ter faringotonsilites de repetição nos últimos dois anos (em média 5 episódios/ano) e necessitar de antibiotico-terapia. Nos últimos meses as crises se tornaram mais frequentes. O paciente tem perdido muitas aulas e treinos. Afirma que, mesmo com antibiótico, a dor demora a passar. Normalmente o quadro vem acompanhado de febre e dor no corpo. Os roncos são moderados e se intensificam nas crises.
 
AP – Asma controlada com corticoide inalatório + B2-agonista de longa duração. Rinite alérgica. O paciente nega alergias medicamentosas.
 
AF – ndn.

EF – Altura: 174 cm. Peso: 65 kg. Exame físico geral sem alterações. Ao exame físico otorrinolaringológico, apresenta tonsilas palatinas hipertrofiadas, de grau III, sem presença de cáseos. Condutos auditivos e membrana timpânica sem alterações. Rinoscopia com palidezdiscreta de conchas inferiores. Nasofibroscopia mostra septo centrado e rinofaringe livre.
 
Conduta – Discutida com o paciente e os pais a possibilidade de remoção cirúrgica das tonsilas palatinas, ou introdução de imunomodulação, como tentativa de diminuir os quadros infecciosos. Optou-se, então, por tratamento com OM-85: 1 comprimido em jejum por 10dias, pausa por 20 dias, repetindo-se o mesmo ciclo mais 2 vezes. Fornecida orientação sobrealimentação e sono adequados na faixa etária do paciente e sobre seu gasto calórico.
 
Evolução – Paciente retornou após o tratamento sem ter tido novas crises. Foi orientadoa manter os cuidados com alimentação e sono. Após 1 ano, refere ter tido apenas 1 episódio de faringotonsilite, após o Carnaval, e ter sido tratado com amoxicilina. Optou-se por mantera conduta expectante e observar novos casos infecciosos.
 

Discussão

As infecções de vias aéreas (IVAs) são prevalentes no mundo todo, tanto na população adulta como na infantil, embora elas sejam mais frequentes em crianças.⁶ No Brasil, estima-se que
cerca de 5,2% das internações realizadas no sistema de saúde complementar sejam por pro-blemas respiratórios: correspondem a 177 mil internações ao ano.⁷
As principais infecções respiratórias são representadas por faringotonsilites, otites e rinossinusites.⁷,⁸ Tanto os sintomas quanto as crises de recorrência têm grande impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes, mas infelizmente, apesar dos esforços investigativos dos profissionais de saúde, alguns indivíduos tendem a apresentar episódios recorrentes de IVA, que acabam por se tornar um verdadeiro desafio em termosde morbidade e custos.³,⁹,¹⁰
 
A possibilidade de tratamento clínico que evite intervenção cirúrgica é sempre bem-vinda, pois, além de reduzir os custos relacionados ao procedimento, diminui a chance de efeitos adversos a ele inerentes.⁵ ⁹ ¹¹ A utilização de lisados bacterianos, como o Broncho-Vaxom® (OM-85), tem sido proposta há muitos anos como estimulantes da resposta imune, pois aumenta a proteção contra infecções.⁹ ¹¹ Vários estudos demonstraram que esses lisados diminuem a frequência e a duração das infecções respiratórias, bem como a intensidade dos sintomas, o que permite a redução do tempo de uso de antibióticos, bem comode sua frequência, melhorando a qualidade devida dos pacientes.⁹ ¹³

Broncho-Vaxom® (OM-85)

O lisado bacteriano oral Broncho-Vaxom®OM-85 consiste em extratos liofilizados de 8 tipos de bactérias (Haemophilus influenzae, Streptococcus pneumoniae, Klebsiella pneumoniae, K. ozaenae, S. aureus, S. pyogenes, S. viridans e Moraxella ca-tarrhalis) e tem mostrado eficácia e segurança na prevenção de uma série de infecções respiratóriasem crianças e em adultos. ¹¹ ¹³

 

Utilizado por via oral, sua eficácia em infecções de vias aéreas é possível graças à natureza integrada do nosso sistema imune. ¹⁴ ¹⁷

 

O tecido linfoide associado ao trato gastrointestinal (GALT) contém a maioria dos linfócitos do corpo (85%) e, como todo tecido linfoide associado à mucosa (MALT), que inclui a respiratória, contémsítios indutores e efetores.¹⁵ ¹⁷

 

Os sítios efetores podem estar distantes dos indutores, nos quais a resposta imunitária se inicia. Portanto, a eficácia do lisado bacteriano oral depende da atividade das placas de Peyer, sítios indutores GALT, para conduzir a resposta imune aos sítios efetores espalhados pela mucosa respiratória.¹⁵ ¹⁷
 

Vários estudos clínicos abordam as mais variadas condições infecciosas e inflamatórias das vias aéreas e mostram resultados bastante promissores;¹¹ ¹³ ¹⁵ ¹⁷ entre eles, um estudo retrospectivo de cinco anos avaliou crianças com faringotonsilite recorrente e mostrou que, além da redução dos episódios de doença, foi capaz de reduzir, a longo prazo, também a necessidade de tratamento cirúrgico.¹³ Além disso, a profilaxia de infecções recorrentes com OM-85 pode representar economia nos custos de cuidados de crianças com infecções recorrentes.¹⁸

Comentários finais

As faringotonsilites acarretam um significativo impacto negativo, em termos de qualidade de vida, em razão dos sintomas e dos quadros de recorrência tanto em crianças quanto em adultos.³ ¹⁰ A faringotonsilectomia é uma opção eficaz, mas traz custos e riscos aospacientes.⁴ ⁵ O Broncho-Vaxom® (OM-85) demonstrou ser eficaz e seguro na prevenção e na redução da infecção recorrente, além de apresentar uma boa relação custo-benefício, em qualquer faixa etária.⁹ ¹³ ¹⁵ ¹⁷ ¹⁸

Referências

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